Walace Lara, repórter da Globo, foi indenizado em R$ 30 mil depois de ser acusado de racismo por um ativista durante a cobertura dos deslizamentos em São Sebastião, litoral de São Paulo, no início de 2023. A Justiça analisou o caso e reconheceu o dano à imagem do repórter.
Durante a transmissão ao vivo na Globo, Walace Lara se emocionou ao relatar que comerciantes locais vendiam água a preços exorbitantes, chegando a R$ 93 por litro, em um momento crítico para a região. “A gente fica pensando que nessas horas a gente vê muitos gestos de solidariedade, mas também muita ganância. Como diz o pessoal nas ruas: ‘Deus tá vendo’. Cobrar R$ 93 por um litro de água…”, desabafou o profissional.
O ativista Antonio Isupério utilizou as redes sociais para acusar o repórter de ser “propagador de notícia falsa e racista”, usando uma foto de Walace Lara em suas postagens. O juiz Pastorelo Kfouri destacou que as afirmações de Isupério não foram baseadas em uma investigação criteriosa e representavam uma impressão pessoal. O magistrado também observou que a ampla quantidade de seguidores do ativista amplificou as informações falsas.
“Não bastante atribuir expressamente ao autor os adjetivos difamatórios de propagador de notícia falsa e de racista, fê-lo com a inserção de sua foto no conteúdo postado, o que afasta a alegação de ser genérico o quanto ali escrito visando afastar a ilicitude de sua conduta em relação ao requerente ou mesmo de que as críticas se voltaram à notícia e não ao requerente”, diz trecho do processo assinado pelo desembargador Pastorelo Kfouri.
Inicialmente, a Justiça determinou uma indenização de R$ 5 mil. No entanto, Walace Lara recorreu, considerando o valor insuficiente, especialmente porque Antonio Isupério reside nos Estados Unidos e tem renda em dólar. O pedido de aumento para R$ 30 mil foi aceito pela Justiça. O ativista ainda pode apresentar novo recurso.