Assassination Classroom e o assassinato como cotidiano

Professor Koro e seus alunos. (foto: Reprodução/Funimation)
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Um anime que começa despretensioso e relativamente clichê: uma escola no Japão com um professor com formato de polvo que supostamente destruiu 70% da lua e pretende destruir a Terra até a formatura dos alunos. Os alunos, então, são agraciados com a missão de matá-lo até a formatura antes que o pior aconteça, com uma recompensa de 10 bilhões de ienes (aprox. 515 milhões de reais) em jogo. O professor não pode machucar os alunos e deve ensiná-los. E aí? Vendo de longe, qualquer um prevê ou calcula o que pode acontecer nos 47 capítulos desta adaptação, mas basta uma pequena introdução para prender os olhos do espectador à história.

A premissa de Assassination Classroom (暗殺教室/Ansatsu Kyoshitsu) se baseia na Turma 3-E do Colégio Kunugigaoka, que conta com estudantes abaixo da média. Seu professor, Koro-sensei (lit. Professor Koro, trocadilho de korosenai — impossível de matar), tem um rosto sempre sorridente, uma personalidade calma, poderes sobrenaturais e um corpo gelatinoso cheio de tentáculos.

As provas finais são retratadas como grandes monstros. (foto: Reprodução/Funimation)

Embora tenha “assassinato” no nome, o espectador já começa embalado pelos alunos dançando o tema de abertura「青春サツバツ論」 (“Seishun Satsubatsuron“), feito para ser divertido e passar a impressão de ser sem nexo. Aqui não é o lugar de ver rios de sangue jorrando a cada minuto, mas sim muitas piadas com o assunto no dia a dia de uma escola. Yuusei Matsui, autor do mangá, já tinha isso em mente, rindo de tudo e criando situações controversas. No anime, isso é traduzido de diversas formas pelo Professor Koro, desde os gostos peculiares (tarado) até o flerte com a quebra da quarta parede ao interagir com pontos da cena como a trilha sonora ou ângulo de câmera. Além disso, o clima escolar traz aquela ambientação de sempre: episódios de viagens (incluindo para o Brasil!), esportes, alunos transferidos, provas finais e por aí vai. Apesar disso, não se deixe enganar, tudo isso é retratado de uma forma original e surpreendente, trazendo ao prof. Koro diversas oportunidades para ensinar os alunos através da vivência.

Mesmo com o gênero humorístico forte na trama, são os alunos que roubam a cena, mesmo sofrendo com a iminente falta de tempo de tela, rendendo ótimas sacadas em absolutamente todos os episódios. Cada um tem sua personalidade e isso é sempre muito bem aproveitado em cada momento oportuno, e esse é o segredo. A forma como conseguiram conduzir dezenas de alunos, professores e vilões sabendo mantê-los relevantes e lembrados em todos os momentos da série é algo que nem todo mundo consegue. A primeira temporada dá essa ênfase maior a introdução dos alunos, enquanto a segunda leva com mais peso a missão do assassinato, além de uma carga dramática mais elevada.

Nagisa Shiota e sua mãe. (foto: Reprodução/Funimation)

Diante de todo este clímax, é notável a crítica ferrenha a alguns métodos de ensino que perduram até hoje. O Koro-sensei consegue usar de seus poderes e oportunidades para fazer com que cada aluno atinja seu potencial máximo sem muita dificuldade, enquanto um dos antagonistas, o diretor da escola Gakuho Asano, acredita que quanto mais conteúdo na cabeça dos alunos, mais rendimento terá. A turma dos esquecidos e o modus operandi da escola são baseados na busca pela superioridade do diretor Asano: sendo a classe 3-A a mais inteligente, eles precisam ter alguém a quem humilhar para se sentirem superiores e uma referência de consequência para quem não for capaz de estudar o suficiente.

A dublagem brasileira, mais uma vez, é exemplar. Realizada pela DuBrasil para a Funimation, que detém os direitos da obra, conta com Spencer Toth em uma atuação espetacular como Professor Koro e Marina Santana entregando emoção e devoção como Nagisa Shiota, protagonista da classe. A direção soube aproveitar muito bem as oportunidades, como as viagens ao Brasil e ligações com a Copa do Mundo e o fatídico 7×1 da partida contra a Alemanha.

Os alunos da classe 3-E. (foto: Reprodução/Funimation)

E é assim que um assassinato pode ser “fascinante” do ponto de vista dos alunos, com cada segundo sendo bem aproveitado com uma história original que entrega o que promete, uma trilha sonora cativante e um leque único de personagens. A única ressalva é a óbvia falta de desenvolvimento dos personagens e a tendência à repetição da trama que pode afastar alguns.

Assassination Classroom terá seu episódio final exibido hoje às 21h00 na Loading, com reapresentação na sexta-feira, no mesmo horário. Todos os episódios estão disponíveis na Funimation, mas a dublagem em português é acessível apenas para os assinantes do serviço.

Caio Alexandre é entusiasta de cinema, exibição, animes e cultura pop em geral. Escreve desde 2008 sobre os mais variados assuntos, mas sempre assumiu a preferência pelo cinema e sua tecnologia embarcada. Não dispensa um filme com um balde de pipoca e refrigerante com o boss no fim de semana. No TV Pop, fala nas manhãs de quinta sobre tudo que é tendência no universo da cultura pop. Converse com ele pelo Twitter, em @CaioAlexandre, ou envie um e-mail para caio@tvpop.com.br. Leia aqui o histórico do colunista no site.

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