Globo é processada por funcionários do BBB; eles conviviam com aranhas, ratos e cobras

Operadores relatam que eram obrigados a conviver com animais peçonhentos nos bastidores do BBB da Globo (foto: Fábio Rocha/Globo)
Operadores relatam que eram obrigados a conviver com animais peçonhentos nos bastidores do BBB da Globo (foto: Fábio Rocha/Globo)
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A Globo está sendo processada por cinco operadores de câmera e um assistente de operações que atuavam no Big Brother Brasil até o ano passado. Além da emissora, eles também estão processando a empresa LET, na qual eles eram contratados para prestarem serviços à emissora. As informações são da jornalista Fábia Oliveira, do jornal O Dia.

De acordo com a colunista, o processo expõe, entre outras coisas, condições degradantes do ambiente trabalho, além de assédio moral sofrido por esses profissionais nos bastidores do reality show. A ação corre em segredo de Justiça e conta com imagens e testemunhos de outros profissionais diretamente envolvidos na produção do programa, que confirmam as acusações do grupo que move a ação. Até o momento, a Globo e a LET não foram citadas no processo.

“Todos pedem indenização pelas condições degradantes do local de trabalho, em função das condições precárias do local destinado aos câmeras, o chamado Câmera Cross (corredor que fica em volta da casa por trás dos espelhos), que era muito sujo, sem lixeiras, com fios desencapados que davam choque quando chovia. Os autores também tinham suprimido o horário de almoço e ainda trabalhavam de pé por cerca de 9 horas seguidas. Além disso, os autores tinham frequentes contatos com animais, como ouriço, ratos, morcegos, gambás, aranhas, marimbondos e até cobra. Um dos autores já foi picado por uma aranha. Há ainda pedido de assédio moral referente ao tratamento destinado aos autores por um diretor da emissora, que os tratava com desrespeito e grosseria, com gritos e chegando a agarrar dois dos autores pelo casaco. Há ainda pedido de pagamento do intervalo suprimido e também equiparação salarial a outros câmeras que desempenhavam as mesmas atividades, mas recebiam salários superiores”, explica Fábio Chiara Allam, o advogado da causa para Fábia Oliveira.

O profissional Washington Santos, que trabalhou em 12 edições do Big Brother Brasil, foi picado por um bicho. Em conversa com Fábia, ele descreve em detalhes as dificuldades enfrentadas em seu local de trabalho. “Um ambiente sujo, totalmente hostil. Quando chove, naquela parte da varanda onde os participantes sentam pra fumar, do lado de dentro do Câmera Cross, alaga tudo. Fora que a gente circulava no meio de fios espalhados no chão sem proteção e, pior, alguns até desencapados. Era um monte de máscaras descartáveis usadas espalhadas pelo chão. Rato, ouriço, cobra, aranha, todos esses bichos circulavam entre a gente. Chegamos a ser orientados sobre infestação e pra tomar cuidado com os cabos, porque poderiam ter cobras enroladas neles e a gente poderia confundir, porque o local é bem escuro.

O operador de câmera descreveu o acidente com a picada de um bicho e relatou que problemas de saúde por conta da insalubridade do local não aconteceram só com ele: “Eu fui picado na mão, minha mão inchou muito e eu fui levado para o centro médico e lá me deram uma injeção. Depois me deram dois dias em casa. Uma funcionária chegou a desmaiar lá dentro por causa de sinusite, porque é um ambiente com muita poeira. Saiu carregada de dentro do Câmera Cross. Tudo isso a gente reclamava com a chefia. Temos um depoimento do profissional da técnica de segurança dizendo que dois meses antes da estreia do ‘BBB 20’ levou nossas reclamações sobre as condições insalubres de trabalho até a direção e a direção não fez nada”.

Washington ressaltou ainda a hipocrisia da emissora em levantar uma bandeira de “prezar pela saúde”, mas não proporcionar o mínimo para que os câmeras trabalhassem dignamente: “A gente sabe bem o que é o produto Big Brother Brasil. A TV Globo vende muito essa questão de se preocupar com a saúde, pedindo pra usar máscara, batendo no presidente, e a gente lá com máscaras usadas espalhadas pelo corredor. A gente foi proibido de tomar a vacina da influenza, isso foi o pior pra gente. Nós, prestadores de serviços, nos sentimos muito humilhados. Quando fomos indagar as enfermeiras sobre a vacinação, disseram pra gente que era só pra funcionários e que a gente não tinha direito. É uma indignação que temos por causa da falta de respeito”.

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