Famosos que fizeram jabá de ivermectina para o governo se defendem

Quarteto de influenciadores embolsou R$ 23 mil do governo Bolsonaro para defender ivermectina (foto: Montagem/Redes Sociais)
Quarteto de influenciadores embolsou R$ 23 mil do governo Bolsonaro para defender ivermectina (foto: Montagem/Redes Sociais)
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Os influenciadores Flávia Viana, João Zoli, Jessika Taynara e Pam Puertas se manifestaram nesta quarta-feira (31) sobre a propaganda que fizeram para a SECOM de Jair Bolsonaro sobre tratamento precoce para a Covid-19. Juntos, o quarteto acumula mais de três milhões de seguidores nas redes sociais. De acordo com um levantamento feito pela Agência Pública, o atual governo já investiu mais de R$ 89 mil em campanhas sobre a pandemia feitas por famosos nas redes sociais.

Os influenciadores, entretanto, se defendem. O grupo se dividiu entre alegar que aceitaram o convite da Secretaria de Comunicação por acreditar que era apenas uma campanha divulgando prevenção básica, como o uso constante de máscaras e álcool gel, caso de Flávia Viana; e em adotar um discurso de perseguição, como aconteceu com João Zoli, que se diz alvo de uma série de notícias deturpadas.

A reportagem do TV Pop fez um levantamento e compilou as respostas dos quatro principais envolvidos na situação. De acordo com a Pública, apenas o quarteto recebeu R$ 23 mil da verba total da ação publicitária.

A influenciadora e ex-BBB Flávia Viana afirmou não se meter com política e disse ter nojo de quem governa o Brasil. “Não me meto com político, acho que o que os governantes fazem com a gente é fazer todo mundo de palhaço, eu tenho nojo de falar de quem governa do nosso país. Não me interpretem mal, minha intenção foi de alertar e de cuidar”, pontuou Flávia.

“Minha intenção ao fazer o trabalho foi única e exclusivamente ajudar. Intenção de cuidado com as pessoas que me assistem. Não acredito em tratamento precoce dessa doença tão louca que está espalhada por aí”, prosseguiu a loira.

Flávia afirmou que nunca teve seu nome envolvido em polêmicas. “Se tem uma coisa que eu prezo muito é pela minha verdade. Eu canso de negar um monte de trabalhos de marcas em que não acredito. Se estou aqui hoje, é porque tenho milhões de seguidores que acreditam no meu trabalho”, disse ela para os seus dois milhões de seguidores. “Estou muito nervosa, talvez não fosse o momento de estar aqui falando, mas não vejo outra forma e não quero esperar”, desabafou.

“Em janeiro, a minha equipe foi procurada para a gente fazer um trabalho de divulgação dos cuidados que a gente teria que ter com a Covid-19, e os trabalhos incluíam máscara e álcool gel, tudo que a gente tem falado desde o começo dessa pandemia e a minha intenção ao fazer esse trabalho foi única e exclusivamente ajudar. Foi uma intenção de cuidado com as pessoas que me assistem, cuidados com vocês”, afirmou.

João Zoli não se manifestou em vídeo, apenas publicou uma foto usando máscara e passando álcool em gel na mão. “Infelizmente nos deparamos a cada dia com notícias que deturpam a verdade. Porém, a minha consciência encontra-se tranquila em razão da certeza de meus atos, inclusive, da campanha em questão, estando ao inteiro dispor das autoridades competentes, mas jamais da mídia que deturpa a verdade”, escreveu.

Jessika Taynara apareceu em uma série de vídeos após a repercussão da história e reportou uma série de ataques direcionados até mesmo para a sua filha, Manuella. “Estão relacionando a gente de uma maneira diferente do que era nossa intenção. A publicidade era para a conscientização da Covid, dos cuidados, tudo que a gente tem falado”, afirmou.

“Quando eu recebi a proposta, eu juro para vocês que era para fazer uma foto com álcool, com máscara e falar do atendimento precoce. Não tem nada a ver com tratamento precoce, com incentivar o uso medicamentos que não tem comprovação científica. Jamais minha intenção foi falar pra tomar ivermectina ou essas porcarias que a gente sabe que não serve pra nada”, justificou ela.

A influenciadora lamentou que as pessoas tenham chegado ao ponto de atacar a sua filha. “Tem gente desejando que a Manu morra de Covid, gente! Vocês têm noção? As pessoas são muito duras, elas interpretam como querem. Eu peço desculpas se vocês entenderam errado, porque de verdade, nunca foi a intenção faltar com respeito com as pessoas que perdem familiares e os que estão sofrendo”, pontuou.

“Não acha que a gente ficou milionário com aquilo não, tá? Pode ser que tenha gente que tenha recebido um super dinheiro pra fazer. Mas eu não fui, tá? Eu só fiz a publicidade porque só não vi tudo que isso tá se tornando”, concluiu.

Por fim, Pam Puertas usou os stories para publicar uma nota se defendendo. “Quero deixar claro que, como influenciadora digital, fui de fato contratada pela SECOM para fazer uma ação sobre atendimento precoce. Jamais fui a favor de tratamento precoce, não tenho conhecimento o suficiente para indicar medicação para qualquer pessoa e por isso não acredito em medicação milagrosa”, escreveu.

“Entendo como atendimento precoce a pessoa ter acesso a um médico, que de fato possa acompanhar e dar toda a assistência necessária, de como a pessoa deve proceder ao ser diagnosticada com Covid-19. Portanto, não sou a favor da utilização de qualquer medicação precoce e sim de um atendimento de profissional, qualificado, baseado na ciência e que possa dar informações relevantes para o paciente na recuperação e nos cuidados com essa e qualquer outra doença”, declarou.

A influenciadora utilizou o espaço para revelar quanto ganhou na publicidade. “Recebi R$ 2.500,00 pela ação, vou doar essa quantia para a campanha Band contra a fome, pois nunca quis levar qualquer vantagem e como profissional deste setor de influenciadores, aceitei fazer a campanha muito mais para auxiliar os que me seguem, já que entendo que essa informação do atendimento precoce é de fato relevante, para que uma pessoa não fique contaminada e acabe buscando ajuda médica após estar em uma situação grave”, concluiu ela.

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